Palavras

Palavras não são gentis, não são amigas, não trazem consolo.
Palavras são verdades implacáveis que armazenamos num lugar importante para utilizá-las nos momentos certos.
Palavras são veículos e nós seus passageiros. Elas nos levam em seus significados e ressignificados. Elas nos acidentam, elas nos suicidam.
Palavras são peças de encaixe, nem sempre perfeito, que formam desenhos mutáveis ao longo da vida.
Palavras são santos imóveis, paralisados numa bênção prometida.
Palavras são fantasmas inconformados que insistem em ignorar a própria morte.
Palavras são obscuras, tendenciosas, comprometedoras, tangenciais e credoras.
Palavras são baús de sinônimos duvidosos e impossíveis que nos confundem no mar revolto das interpretações.
Palavras são furacões indomáveis que tragam os sentimentos, levando-os ao sabor de seus movimentos caprichosos.
Palavras são ecos dos primórdios da evolução humana.
Palavras são a sombra. São.
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Jean de La Bruyére

As melhores ações se alteram e enfraquecem pela maneira por que são praticadas, e deixam até duvidar das intenções. Aquele que protege ou louva a virtude pela virtude, que corrige e reprova o vício por causa do vício, simplesmente, naturalmente, sem nenhum rodeio, sem nenhuma singularidade, sem ostentação, sem afetação: não usa respostas graves e sentenciosas, ainda menos os detalhes picantes e satíricos; não é nunca uma cena que ele representa para o público, é um bom exemplo que dá e um dever que cumpre; não fornece nada às visitas das mulheres, nem ao pavilhão, nem aos jornalistas; não dá a um homem espirituoso matéria para boa anedota. O bem que acaba de fazer é um pouco menos sabido e conhecido pelos outros, na verdade; mas fez esse bem; que é que ele queria mais?
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Friedrich Nietzsche

Uma vez admitidos dois fatos: que o devir não tem fim e que não é dirigido por qualquer grande unidade na qual o indivíduo possa mergulhar totalmente como num elemento de valor supremo, resta só uma escapatória possível: condenar todo esse mundo do devir como ilusório e inventar um mundo situado no além, que seria o mundo verdadeiro. Mas, logo que o homem descobre que este mundo não é senão construído sobre as suas próprias necessidades psicológicas e que ele não é de nenhum modo obrigado a acreditar nele, vemos aparecer a última forma do niilismo, que implica a negação do mundo metafísico e que a si mesma se proíbe de crer num mundo verdadeiro. Alcançado este estado, reconhecemos que a realidade do devir é a única realidade e abstemo-nos de todos os caminhos afastados que conduziriam à crença em outros mundos e em falsos deuses - mas não suportamos este mundo que não temos já a vontade de negar.
(...) Que se passou portanto? Chegamos ao sentimento do não valor da existência quando compreendemos que ela não pode interpretar-se, no seu conjunto, nem com a ajuda do conceito de fim, nem com a do conceito de unidade, nem com a do conceito de verdade. Não chegamos a nada, não logramos coisa nenhuma dessa espécie; a unidade global não aparece na pluralidade do devir: o caráter da existência não é o de ser verdadeira, mas o de ser falsa (...) não há razão alguma para nos persuadirmos de que existe um mundo verdadeiro. (...) Em suma, as categorias de fim, de unidade, de ser, graças às quais demos um valor ao mundo, retiramo-lhas e o mundo parece ter perdido todo o valor.
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In “A Vontade de Poder”.
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Carnaval (Aaron Caronte Badiz)

Foi um carnaval quando te encontrei.
Ao te ver pela primeira vez, dentro de mim tocaram cornetas, apitos, marchinhas alegres, foram lançadas serpentinas, confetes, pétalas de rosa... Uma felicidade sem fim que cercava a sua aproximação e sua entrada triunfal em minha vida. Sem que você soubesse, sequer desconfiasse, eu a recebi em êxtase, numa satisfação profunda, cantando “Ô abre-alas” a plenos pulmões e num salão repleto de tudo o mais colorido, festeiro, iluminado, sonoro e simpático que há dentro de mim. Meus olhos te seguiram imantados todos os passos que te traziam para perto e nada mais existia além de você naquele lugar. Até que conheci sua voz: “Oi”. E eu: “Oi”.
Mas havia um carnaval dentro de mim.
Que dura até hoje. Com a mesma alegria, os mesmos festejos de felicidade.
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Recordação (Lélia)

Um dia eu te amei. Um dia fomos felizes. Um dia a vida foi linda.
Mas acabou. De forma repentina, de forma triste. Eu chorei, lamentei por nós.
Enxuguei as lágrimas e prossegui. Hoje recordo alegrias e sorrio.
Um dia eu fui feliz...
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Bertrand Russell

Uma das características essenciais do aborrecimento consiste no contraste entre as circunstâncias presentes e outras mais agradáveis que exercem uma força irresistível sobre a imaginação. É também essencial que as faculdades do indivíduo não estejam inteiramente ocupadas. Fugir diante de inimigos que pretendem tirar-nos a vida deve ser desagradável, mas certamente não é aborrecido. Um homem também não se sente aborrecido quando é executado, a não ser que tenha uma coragem quase sobre-humana. Da mesma maneira nunca ninguém bocejou ao pronunciar o seu primeiro discurso na Câmara dos Lordes, salvo o falecido duque de Devonshire, que por isso mesmo se tornou célebre. O aborrecimento é essencialmente um desejo frustrado de aventuras, não necessariamente agradáveis, mas pelo menos de incidentes que permitam à vítima do tédio distinguir um dia dos outros dias. O oposto do aborrecimento é, numa palavra, não o prazer, mas sim a agitação.
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In “A Conquista da Felicidade”.
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Vergílio Ferreira

O que mais me intriga e dói na nossa morte, como vemos na dos outros, é que nada se perturba com ela na vida normal do mundo. Mesmo que sejas uma personagem histórica, tudo entra de novo na rotina como se nem tivesses existido. O que mais podem fazer-te é tomar nota do acontecimento e recomeçar. Quando morre um teu amigo ou conhecido, a vida continua natural como se quem existisse para morrer fosses só tu. Porque tudo converge para ti, em quem tudo existe, e assim te inquieta a certeza de que o universo morrerá contigo. Mas não morre. Repara no que acontece com a morte dos outros e ficas a saber que o universo se está nas tintas para que morras ou não. E isso é que é incompreensível - morrer tudo com a tua morte e tudo ficar perfeitamente na mesma. Tudo isto tem significado para o teu presente. Mas recua duzentos anos e verás que nada disto tem já significado.
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In “Escrever”.
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Stig Dagerman

É de um sadismo soberbo pensar que deveríamos ser julgados pelas nossas boas e más ações, uma vez que só de um pequeníssimo número das nossas ações podemos decidir. O acaso cego, que se distingue da justiça cega pelo simples fato de ainda não usar venda, introduz e acaba as nossas ações; o que podemos fazer e, bem entendido, o que devemos fazer, em virtude da existência tantas vezes negada da nossa consciência, é deixarmo-nos arrastar numa certa direção e mantermo-nos depois nessa direção enquanto conservamos os olhos abertos e estamos conscientes de que o fim em geral é uma ilusão, pelo que o fundamental é a direção que mantivermos, pois só ela se encontra sob o nosso controle, sob o controle do nosso miserável eu. E a lucidez, sim, a lucidez - os olhos abertos fitando sem medo a nossa terrível situação - deve ser a estrela do eu, a nossa única bússola, uma bússola que cria a direção, porque sem bússola não há direção. Mas se me disponho agora a acreditar na direção, passo a duvidar dos testemunhos relativos à maldade humana, uma vez que no interior de uma mesma direção - em si mesma excelente - podem existir correntes boas e más.
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In “A Ilha dos Condenados”.
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Post Inesquecível do Duelos Literários

Escolhi este post porque ele traz verdades sobre o sentir amor e o saber do amor. Alba mais uma vez me encantou com a percepção contundente das coisas que muitas vezes retrata em seus escritos. Parabéns! Gostei muito!
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AMOR
....(Alba Vieira)
Do amor só os bobos sabem...
E seguem enganados
Enquanto pensam que conhecem
Aquilo que, não sentindo,
É de todo impossível saber de verdade.

Porque aquele que de fato ama
Sabe que nada sabe,
Nada espera,
Apenas sente, recebe.
E como criança
Ainda se espanta,
Tudo oferece
E, às vezes, reclama.
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Alexis Carrel

A civilização moderna encontra-se em má posição porque não nos convém. Foi construída sem conhecimento da nossa verdadeira natureza. Deve-se ao capricho das descobertas científicas, do apetite dos homens, das suas ilusões, das suas teorias e dos seus desejos. Apesar de ter sido edificada por nós, não foi feita à nossa medida.
Na verdade, é evidente que a ciência não seguiu nenhum plano. Desenvolveu-se ao acaso, com o nascimento de alguns homens de gênio, a forma do seu espírito e o caminho que tomou a sua curiosidade. Não se inspirou de modo nenhum no desejo de melhorar o estado dos seres humanos. As descobertas produziram-se ao sabor da intuição dos cientistas e das circunstâncias mais ou menos fortuitas das suas carreiras.
Se Galileu, Newton ou Lavoisier tivessem aplicado os poderes do seu espírito ao estudo do corpo e da consciência, talvez o nosso mundo fosse diferente do que é hoje. Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios sutis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências. Mas a forma da nossa civilização resultou dessas consequências.
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In “O Homem, Esse Desconhecido”.
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Post Inesquecível do Duelos Literários

Bem, este haikai fala por si mesmo. Raquel, com sua enorme sensibilidade, nos brindou com esta maravilha. Ela conseguiu captar e apresentar, magistralmente, em palavras, a luz que vislumbrou naquele momento. Perfeito! Lindo! Quantas vezes estive diante de uma cena assim e nunca me ocorreu estas duas ações da luz. Magnífico! Parabéns mil vezes!
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LUZ
(Raquel Aiuendi)
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Luz que só paira
sobre a pitangueira
e cai no solo.
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Friedrich Nietzsche

Contemplando uma cascata, acreditamos ver nas inúmeras ondulações, serpenteares, quebras de ondas, liberdade da vontade e capricho; mas tudo é necessidade, cada movimento pode ser calculado matematicamente. O mesmo acontece com as ações humanas; poder-se-ia calcular antecipadamente cada ação, caso se fosse onisciente, e, da mesma maneira, cada progresso do conhecimento, cada erro, cada maldade. O homem, agindo ele próprio, tem a ilusão, é verdade, do livre-arbítrio; se por um instante a roda do mundo parasse e houvesse uma inteligência calculadora onisciente para aproveitar essa pausa, ela poderia continuar a calcular o futuro de cada ser até aos tempos mais distantes e marcar cada rasto por onde essa roda a partir de então passaria. A ilusão sobre si mesmo do homem atuante, a convicção do seu livre-arbítrio, pertence igualmente a esse mecanismo, que é objeto de cálculo.
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In “Humano, Demasiado Humano”.
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Haruki Murakami

Podemos muito bem, se for esse o nosso desejo, vaguear sem destino pelo vasto mundo do acaso. Que é como quem diz, sem raízes, exatamente da mesma maneira que a semente alada de certas plantas esvoaça ao sabor da brisa primaveril.
E, contudo, não faltará ao mesmo tempo quem negue a existência daquilo a que se convencionou chamar o destino. O que está feito, feito está, o que tem se ser tem muita força e por aí fora. Por outras palavras, quer queiramos quer não, a nossa existência resume-se a uma sucessão de instantes passageiros aprisionados entre o “tudo” que ficou para trás e o “nada” que temos pela frente. Decididamente, neste mundo não há lugar para as coincidências nem para as probabilidades.
Na verdade, porém, não se pode dizer que entre esses dois pontos de vista exista uma grande diferença. O que se passa - como, de resto, em qualquer confronto de opiniões - é o mesmo que sucede com certos pratos culinários: são conhecidos por nomes diferentes mas, na prática, o resultado não varia.
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In “Em Busca do Carneiro Selvagem”.
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Arthur Schopenhauer

O acaso é um poder maligno, no qual se deve confiar o menos possível. De todos os doadores, ele é o único que, ao dar, mostra ao mesmo tempo e com clareza que não temos direito nenhum aos seus bens, os quais devemos agradecer não ao nosso mérito, mas tão-só à sua bondade e graça, que nos permitem até nutrir a esperança alegre de receber, no futuro e com humildade, muitos outros bens imerecidos. Eis o acaso: mestre da arte régia de tornar claro o quanto, em oposição ao seu favor e à sua graça, todo o mérito é impotente e sem valor.
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In “Aforismos para a Sabedoria de Vida”.
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Ciranda (Adelmar Tavares)

...e, embora irmãs,
não se vêem, não se dão, não se parecem
as doze tecelãs...
(Guilherme de Almeida)
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Vejo a ciranda das horas,
moças lindas a cantar...
doze vestidas de branco,
umas de flores na testa,
outras de flores na mão...
E, no balanço da dança,
quando uma vem, outras vão...

Horas do dia e da noite...
Ó vocês!... Lindas que são!...
Qual será mesmo a minha Hora,
minha hora de Redenção?!...
Será das doze de branco,
ou das que de negro estão?!...
Qual virá, vindo o meu dia,
pousar a mão no meu peito,
parando o meu coração?!...
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Poema do Silêncio (José Régio)

Sim, foi por mim que gritei.
Declamei,
Atirei frases em volta.
Cego de angústia e de revolta.

Foi em meu nome que fiz,
A carvão, a sangue, a giz,
Sátiras e epigramas nas paredes
Que não vi serem necessárias e vós vedes.

Foi quando compreendi
Que nada me dariam do infinito que pedi,
Que ergui mais alto o meu grito
E pedi mais infinito!

Eu, o meu eu rico de baixas e grandezas,
Eis a razão das épi-tragicômicas empresas
Que, sem rumo,
Levantei com sarcasmo, sonho, fumo...

O que buscava
Era, como qualquer, ter o que desejava.
Febres de Mais. Ânsias de Altura e Abismo,
Tinham raízes banalíssimas de egoísmo.

Que só por me ser vedado
Sair deste meu ser formal e condenado,
Erigi contra os céus o meu imenso Engano
De tentar o ultra-humano, eu que sou tão humano!

Senhor meu Deus em que não creio!
Nu a teus pés, abro o meu seio
Procurei fugir de mim,
Mas sei que sou meu exclusivo fim.

Sofro, assim, pelo que sou,
Sofro por este chão que aos pés se me pegou,
Sofro por não poder fugir.
Sofro por ter prazer em me acusar e me exibir!

Senhor meu Deus em que não creio, porque és minha criação!
(Deus, para mim, sou eu chegado à perfeição...)
Senhor dá-me o poder de estar calado,
Quieto, maniatado, iluminado.

Se os gestos e as palavras que sonhei,
Nunca os usei nem usarei,
Se nada do que levo a efeito vale,
Que eu me não mova! que eu não fale!

Ah! também sei que, trabalhando só por mim,
Era por um de nós. E assim,
Neste meu vão assalto a nem sei que felicidade,
Lutava um homem pela humanidade.

Mas o meu sonho megalômano é maior
Do que a própria imensa dor
De compreender como é egoísta
A minha máxima conquista...

Senhor! que nunca mais meus versos ávidos e impuros
Me rasguem! e meus lábios cerrarão como dois muros,
E o meu Silêncio, como incenso, atingir-te-á,
E sobre mim de novo descerá...

Sim, descerá da tua mão compadecida,
Meu Deus em que não creio! e porá fim à minha vida.
E uma terra sem flor e uma pedra sem nome
Saciarão a minha fome.
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Albert Einstein

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A tradição é a personalidade dos imbecis.
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A Peste (Augusto dos Anjos)

Filha da raiva de Jeová - a Peste
N’um insano ceifar que aterra e espanta,
De espaço a espaço sepulturas planta
E em cada coração planta um cipreste!

Exulta o Eterno e... tudo chora, tudo!
Quando Ela passa, semeando a Morte,
Todos dizem co’os olhos para a Sorte
- É o castigo de Deus que passa mudo!

- Fúlgido foco de escaldantes brasas
- O sol a segue, e a Peste ri-se, enquanto
Vai devastando o coração das casas...

E como o sol que a segue e deixa um rastro
De luz em tudo, ela, como o sol - o astro -
Deixa um rastro de luto em cada canto!
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Resposta

Eu te mando uma resposta
curta e grossa, de uma vez:
some logo da minha vida
e leva a sua estupidez.

Não quero te ver nem morto,
vivo, então, nem se cogita!
Vai pra longe, troço ruim,
e devolve minha marmita.

Não sei quanta cara dura
pode ter uma pessoa...
fazer uma pergunta dessa...
a quem está numa boa...

Que você seja mongol,
um completo ignorante,
isso eu posso entender,
mas me mantenha distante

das suas idiotices,
das suas provocações,
das suas perguntas doidas,
das suas indagações.

Perguntar, assim, na lata,
sem um pingo de pudor...
na frente de todo mundo,
se eu usava vibrador?!
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Carnaval? (Dália Negra)

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Afastem de mim esta alegria,
Afastem de mim o Carnaval.
Máscaras disfarçam agonias,
Os olhares, as intenções, o ilegal.

Escondem vontades reprimidas
No dia a dia de regras sociais
Que impedem agressões, estupros, mortes...
Ações inconsequentes, irracionais.

Prefiro despir todas as faces,
Torná-las sóbrias, cotidianas,
A conviver com seus simulacros -
Ou suas verdades assustadoras e insanas.
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